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Luciana Martins

Luciana Martins, nossa Mulher Positiva de hoje, é diretora-executiva do Grupo Conecta e diretora da MPrado Cooperativas. Sonhadora, ela conta que começou sua carreira antes dos 15 anos, como vendedora. Aos 19, despertou-se para o agronegócio, de onde nunca mais saiu. Agarrou as oportunidades que surgiram e se tornou, em pouco tempo, um nome importante do setor. Passados 18 anos, acumula mais de 1.500 palestras ministradas, atuou na gestão de mais de 500 empresas e 400 cooperativas e vai promover, nos próximos meses, seis grandes eventos do agronegócio, sem perder o equilíbrio entre trabalho, família e maternidade. “A vida da mulher se resume em girar pratos e fazer escolhas. Porém, há pratos de porcelana — família, relacionamento, saúde, valores pessoais — que, se caem, nunca mais conseguimos arrumar. E existem outros igualmente importantes, mas que são emborrachados, como carreira e patrimônio. Podem cair sem se espatifar, esses pratos você recupera novamente”, ensina.




1. Como começou a sua carreira?

Minha trajetória profissional se inicia muito cedo. Aos 14 anos, meu primeiro estágio foi na Magazine Luiza, no setor de brinquedos, na área de vendas. Aquela experiência não era um trabalho para mim, mas, sim, uma diversão. Eu queria comprar todos os produtos que eu vendia e descobri que, se você se encanta pelo que vende, a venda é uma consequência do encantamento que transmite aos seus clientes. E foi assim que me tornei a melhor vendedora do setor naquele semestre. O segundo estágio foi no CDL, onde lidava com empresários vendendo o acesso ao SPC e Serasa. Foram experiências que, muito cedo, me fizeram entender que, independentemente da profissão que você vá escolher, suas habilidades comerciais serão fator decisivo para o seu sucesso em qualquer segmento. Aos 17 anos, começa um período de grande aprendizagem, uma escola de verdade, o grande Grupo Algar. Meu início lá foi como telemarketing ativo, e me recordo que, por seis meses, fui a melhor vendedora do meu projeto e sempre falavam sobre mim como referência nas reuniões de equipe, como alguém que entregava além. Assim surge o primeiro processo seletivo para supervisão, porém aos 17 anos (e apenas seis meses de empresa). Eu não poderia participar, mas a persistência (que costumo dizer que está no meu DNA, um “não” nunca me limitou, sempre me desafiou, pois o impossível é algo que não existe no meu dicionário) me fez ir até a diretoria, com todas as minhas avaliações de performance e resultados em vendas, questionar sobre o motivo de não poder concorrer. Aquela vaga se tornou uma meta para mim. Naquele momento, eu não estava pedindo a vaga, eu estava reivindicando o direito de participar do processo e, se capaz eu fosse, assumiria o tão sonhado cargo. Assim eu me tornei a mais jovem supervisora do grupo, com 40 liderados sob minha gestão. E encontrei aí outra paixão: motivar pessoas a despertarem o seu melhor. Isso me encantava e me apaixonava cada dia mais pelo meu trabalho.

O momento no grupo era de grandes mudanças, e eu fui desafiada pela diretoria a ministrar um treinamento para o meu time. Recebi um livro das mãos do diretor, “Quem Mexeu no Meu Queijo”, e assim descubro mais uma grande paixão: treinar e palestrar. Eu sentia que no palco eu me realizava e todos à minha volta reconheciam que ali era o meu lugar. Ministrei a palestra 100% do quadro de 3.000 funcionários e, a partir daí, fui convidada a fazer parte da universidade do grupo, mas esse passo exigiria uma escolha difícil de ser tomada, principalmente para quem gosta de estabilidade e segurança, pois era uma transição de sair do CLT e ir para PJ. Empreender era atirar ao desconhecido, que apresenta uma série de possibilidades, mas que carregava junto uma chuva de responsabilidade. E assim nasce a Luciana empreendedora com a minha primeira empresa de treinamento e consultoria. A descoberta foi que, naquela modalidade, eu poderia ir além da Unialgar e assim pude alçar voos maiores. Eu ministrava cursos e palestras para o grupo de uma escola de vigilantes e para o Exército, com um curso de gestão de crises no qual capacitei oficiais que foram em missão de paz ao Haiti após o terremoto que devastou aquele país, experiência essa que me ajudou muito a contribuir em um dos momentos mais desafiadores e tristes da minha vida. Relatando esse início de carreira percebo quão intensos foram esses quatro anos.

Minha chegada ao agro foi aos 19 anos, já ministrando palestras, treinamentos e consultoria. Foi quando conheci o Marcelo Prado e me recordo de suas palavras: “Vou te colocar para jogar. Se você apresentar resultados e marcar o gol, será convocada para a seleção da MPrado”. O primeiro desafio era um treinamento sobre administração do tempo e, por coincidência do destino, foi em uma cooperativa. Desde esse dia, me encanto a cada vez mais pelo agro, ele foi se tornando exclusivo em meus trabalhos, a ponto de rodar 24 dias por mês, durante oito anos, realizando muitas consultorias em grandes projetos, em 25 Estados, capacitando revendas, indústrias, empresas e cooperativas, conduzindo planejamento estratégico, gestão comercial e tantas outras matérias importantes no desenvolvimento das empresas. Naquele momento, eu sentia que, após duas graduações, inúmeras especializações nacionais e internacionais, a carreira estava no seu auge. Já era reconhecida pelo mercado e, financeiramente, muita das conquistas que almejava eu já havia alcançado, mas um desejo pulsava insistentemente no meu coração: a vontade de ser mãe, de gerar uma criança. Naquele ritmo de trabalho, já vinha tentando engravidar há três anos e não conseguia. Era preciso uma pausa.

O sonho se torna realidade e uma sementinha crescia no meu ventre, meu príncipe João Henrique. Porém, o ritmo de trabalho ainda permanecia intenso. Dois princípios de aborto, e uma decisão precisava ser tomada. A pressurização do avião estava fazendo mal ao meu bebê. Foi nesse momento que chego ao Marcelo e demonstro toda a fragilidade que nós, mães, possuímos como profissionais no momento de gestar. A maternidade é por si só um momento de pausa na carreira, e eu queria viver aquele sonho na sua plenitude.

Durante meus oito anos como consultora eu me especializei em cooperativas. Foi algo natural, por identificação com o sistema. Mal sabia que, no momento mais lindo da minha vida, receberia um presente: a oportunidade de me tornar sócia de um profissional e ser humano que eu admirava todos os dias, o Marcelo Prado. Ao explicar minha decisão de pausar minhas viagens e minha carreira na consultoria, fui desafiada a gestar também o núcleo chamado MPrado Coopers, que nasce junto com meu primeiro filho, com um objetivo claro em meu coração, o de nos tornarmos referência em desenvolvimento para cooperativas. E lá se vão 10 anos cumprindo esse propósito que traz grandes desafios, liderando 80 consultores, capacitando mais de 400 cooperativas pelo Brasil e levando conhecimento e desenvolvimento ao agronegócio.

Um desejo de levar conhecimento e reunir os principais líderes do agro começou a me invadir de uma maneira incontrolável. Em 2015, nasce o Encontro das Cooperativas Agropecuárias. Naquela ocasião, uma empresa de eventos executou meu sonhos por três edições, porém, por estratégia desta multinacional, os eventos de produtores e cooperativas passam a não fazer mais parte da estratégia global, nascendo assim o Grupo Conecta, com sócios que acreditaram no projeto. Hoje realizamos seis eventos no Brasil e dois no exterior. Com nichos bem definidos, levamos conhecimento através do Top Farmers, Enca, Encoffee, Mega Pec, Enmcoop, Master Agro Jovem. Como diretora-executiva, minha principal preocupação é sempre levar o melhor em conteúdo, programação e networking, e assim venho cumprindo esse propósito por oito anos, enfrentando dois anos desafiadores de pandemia, principalmente para o setor de eventos. Mas eu digo que Deus nos capacita e nos dá forças para seguir em frente. No meu caso, ele me deu meu segundo presente. Em 2020, minha doce Luísa nasceu, ela foi a força para encarar qualquer adversidade. Enfim, desde do início da carreira no agro, lá se vão 18 anos comandando a MPrado e o Grupo Conecta com muito amor, tendo no currículo mais de 1,500 palestras por todo país, atuando na gestão de mais de 500 empresas e 400 cooperativas, construindo um legado de muito trabalho dedicação e persistência.


2. Qual foi o momento mais difícil da sua carreira?

Era um domingo de manhã. Naquela ocasião, eu tinha terminado uma convenção de um grande distribuidor. Eu me recordo que estávamos no café da manhã e passava insistentemente no noticiário a tragédia de Santa Maria, no Rio Grande do Sul. Eles clamavam por voluntários, para que quem tivesse condições de ajudar se apresentasse. Eu não sabia o que faria, mas tinha a certeza de que eu precisava estar lá. Peguei o carro, me desloquei até Santa Maria e me cadastrei como voluntária para tentar colocar em prática tudo aquilo que tinha aprendido e que ministrava nos cursos de gestão de crises para o Exército, para poder contribuir de alguma maneira. Ali eu estava disposta a fazer qualquer coisa que tivesse ao meu alcance, algo que eu pudesse limpar, que eu pudesse ajudar, que eu pudesse entregar. O objetivo era simplesmente poder ser útil naquele momento de tanta dor. Ao fazer o cadastro com o pessoal que estava recepcionando os voluntários, eles me questionaram qual era o meu conhecimento, então eu disse: olha, eu só tenho a parte teórica sobre gestão de crises, eu nunca atuei em uma, mas o desejo de ajudar é maior que tudo neste momento. Na mesma hora, eles chamaram a major Débora, que estava conduzindo aquela situação, e ela olhou para mim e disse: ‘Você caiu do céu, venha, vou te mostrar como está a situação’. Caminhamos por todos os ginásios, desde o reconhecimento dos corpos até o velório coletivo. Ali eu vi uma crise de fato, algo de uma proporção paralisante, eu não sabia por onde começar, mas eu tinha certeza de que havia muito trabalho a fazer.

Solicitei uma prancheta, eu precisava de um planejamento, um processo, então comecei a organizar os voluntários e formar times de trabalho, de modo que cada um pudesse dar o seu melhor e, na medida do possível, minimizar a dor daqueles pais. Foram dois dias intensos, os pés cheios de calos e mais de uma semana nos hospitais, dando apoio psicológico. Mas cumprimos a missão. Naquele momento, eu vi mães e pais sofrendo a dor mais intensa que uma mãe e um pai podem sentir. Por esse motivo, eu acho que foi um dos momentos mais difíceis, em que coloquei um conhecimento, algo que eu tinha como habilidade profissional, em prática. Eu falo que a teoria de gestão de crises é muito diferente da prática. Ali eu estava vivendo de fato uma crise, a qual eu precisava de um mínimo de organização para tentar minimizar, algo que não tinha como reduzir a dor daquelas pessoas. Foram 250 voluntários e, ao final do trabalho, nós nos abraçamos. Eu com o coração cheio de gratidão por cada um que deu o seu melhor e por Deus ter me confiado aquela missão de liderar tantas pessoas com um coração gigante.


3. Como você consegue equilibrar sua vida pessoal x vida corporativa/empreendedora?

A vida da mulher se resume em girar pratos e fazer escolhas. Porém, há pratos de porcelana — família, relacionamento, saúde, valores pessoais — que, se caem, nunca mais conseguimos arrumar. E existem outros igualmente importantes, mas que são emborrachados, como carreira e patrimônio. Podem cair sem se espatifar, esses pratos você recupera novamente Vejo, a todo instante, mulheres sofrendo por ter que escolher entre suas diversas prioridades, o que socorrer primeiro. Eu tenho o privilégio em ter um companheiro de vida que me impulsiona e me ajuda a girar os meus pratos, mas tenho consciência de que isso é uma raridade. Precisamos saber que não seremos capazes de controlar tudo e dar conta de tudo. A equação da felicidade está justamente em reduzir as expectativas e aumentar a realidade e, assim, eu busco o equilíbrio na minha vida, priorizando sempre os meus pratos de porcelana, entendendo que não possuo o controle de tudo e está tudo bem, reduzindo o meu nível de expectativa sobre mim e, principalmente, sobre os outros, sendo grata a realidade que se apresenta e colocando a fé acima de tudo.


4. Qual seu maior sonho?

Sou uma pessoa sonhadora por natureza e sempre busco fatiar sonhos maiores em realizações pequenas e cotidianas, que colaboram para o atingimento de grandes metas. Meu maior desejo pessoal é edificar uma família de modo que meus filhos se tornem seres humanos realizados, com bases sólidas e raízes profundas. Então, busco construir sua autoestima todos os dias, ajudá-los a descobrir suas habilidades e entenderem que a gratidão será sua grande virtude. Como profissional, estou realizando um grande sonho. Sempre me dediquei a assuntos técnicos e de gestão, e agora tenho me dedicado a deixar o meu legado com o projeto “Um Propósito chamado Agro”. Quero despertar nas pessoas o seu Ikigai, mostrar a elas que o impossível não deve existir e que, se Deus te permite sonhar, você pode realizar. Sei que muitos frutos virão deste projeto e tenho me dedicado a ele com todo o meu coração. Um sonho pessoal é conhecer o mundo, que neste momento está fatiado, e atingir 40 países até os meus 40 anos. Faltam seis países e três anos para essa meta. Tenho certeza de que muitas outras metas virão, pois jamais podemos perder a capacidade de sonhar.


5. Qual sua maior conquista?

Sou grata a todas as conquistas que tive ao longo de minha vida. Hoje eu tenho muitas coisas pelas quais orei um dia, e cada uma delas tem um espaço no meu potinho de gratidão: minha família, minha carreira, minhas empresas. A Luciana que sou hoje é fruto de pequenas conquistas diárias que sempre foram comemoradas.


6. Livro, filme e mulher que admira.

“Comece pelo Porquê”, de Simon Sinek. É um livro que busca o sentido, o propósito das nossas ações além do lucro. Tem até uma frase de Mark Twain que utilizo muito em minhas palestras e que eu acredito que resume o livro, apesar de não estar nele: “Os dois dias mais importantes da sua vida são o dia que você nasce e o dia que você descobre o porquê?”. O filme “À Espera de Um Milagre” sempre foi meu favorito, acredito que eu já tenha assistido umas 30 vezes e sempre choro no final. E uma mulher que admiro por sua trajetória é a Malu Nachreiner, uma mulher que, por competência, saiu de estagiária a CEO de uma das maiores indústrias agro do mundo.


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Sobre Elas: Histórias que Inspiram Mudança

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