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Dra. Alessandra Souza

  • Foto do escritor: Mulheres Positivas
    Mulheres Positivas
  • 9 de out.
  • 5 min de leitura

Nossa Mulher Positiva é a Dra. Alessandra Souza, odontopediatra apaixonada pela infância e pela educação. Iniciou sua jornada ainda adolescente, guiada pelo desejo de cuidar de crianças com um olhar sensível e técnico. Hoje, soma mais de 13 anos de atuação clínica exclusiva, é doutoranda, mestre e coordenadora de sete turmas de especialização. Com milhares de alunos formados, ela mostra que é possível unir conhecimento, empatia e excelência no cuidado infantil.


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1.⁠ ⁠Como começou a sua carreira?

O início da minha jornada com as crianças começou ainda na adolescência, antes mesmo da faculdade de Odontologia. Eu era professora de escola dominical na igreja, e ali aprendi, de maneira muito simples e verdadeira, o valor da paciência, da linguagem afetuosa e do manejo cuidadoso com os pequenos.Foi nesse espaço que descobri que meu coração batia mais forte pelo universo infantil. Desde muito cedo eu sabia que queria ser dentista, mas não qualquer dentista — eu sonhava em ser dentista de criança. Sempre me encantei pelo brilho e pela espontaneidade dos pequenos, mas também me sentia desafiada e profundamente chamada a cuidar justamente daquilo que era considerado “difícil”: os bebês e as crianças especiais, que muitas vezes exigem um olhar diferente e um cuidado mais sensível.


Assim que concluí a graduação, mergulhei direto na especialização em Odontopediatria, e essa escolha só confirmou que eu estava no caminho certo.Depois vieram o mestrado e agora o doutorado, sempre movida pela mesma certeza: a de que ciência e amor caminham juntos quando o assunto é cuidar da saúde das crianças.


Cada passo da minha carreira foi construído nesse propósito - de oferecer um atendimento que une conhecimento técnico com acolhimento humano, porque acredito que a Odontopediatria vai muito além dos dentes: ela transforma vidas e memórias.  


2.⁠ ⁠Qual foi o momento mais difícil da sua carreira?

O momento mais difícil da minha carreira foi justamente o início. Eu concluí o ensino médio muito cedo e entrei na faculdade de Odontologia aos 16 anos, um curso integral, em tempo quase exclusivo, que concluí aos 20. Aos 22 já tinha a especialização, e hoje, com 35 anos, finalizei várias pós-graduações, habilitação em sedação e estou concluindo o doutorado.


Ou seja, comecei muito nova, com “cara de menina” e um jeito delicado, o que para muitos não combinava com a imagem de uma profissional “séria” e “graduada” da saúde. Era comum ouvir perguntas como: “Mas ela é mesmo dentista formada?”. Isso me marcou bastante no começo, porque o meu esforço, meu preparo e minha dedicação eram questionados não pela minha competência, mas pela minha aparência e idade.

Conquistar esse espaço de autoridade foi, e continua sendo, um grande desafio. Na clínica, eu precisei provar muitas vezes que eu sabia o que estava fazendo; e no meio acadêmico, onde a voz principal quase sempre pertence a professores mais velhos e, muitas vezes, homens, eu precisei batalhar pelo meu lugar, pelo respeito à minha fala e ao meu conhecimento. Esse caminho não foi fácil — houve momentos de insegurança, de frustração e de sentir que eu precisava “ser o dobro” para ter metade do reconhecimento.


Mas, olhando hoje, vejo que justamente essa dificuldade me impulsionou a estudar ainda mais, a me preparar com profundidade e a desenvolver uma voz firme, sem perder a delicadeza que faz parte de mim. Transformei aquilo que era apontado como fragilidade — ser nova, ser mulher, ser delicada — em marca da minha trajetória.Hoje, sei que inspiro muitas alunas e colegas que vivem dilemas parecidos, e isso me dá a certeza de que cada obstáculo enfrentado lá atrás se transformou em força para abrir caminho para outras mulheres também.  


3.⁠ ⁠Como você consegue equilibrar sua vida pessoal x vida corporativa/empreendedora?Equilibrar a vida pessoal com a vida corporativa e acadêmica nunca foi uma tarefa simples. Desde cedo, eu fiz escolhas que me levaram a priorizar o trabalho e os estudos, muitas vezes deixando a vida social de lado.


Enquanto a maioria dos jovens de 25 anos estava curtindo festas e baladas nos finais de semana, eu estava mergulhada nas pesquisas do mestrado, conciliando plantões na clínica e as primeiras experiências na docência. Tanto que, até hoje, aos 35 anos, confesso até com certo constrangimento que nunca fui a uma balada. Mas eu reconheço que essas renúncias moldaram quem eu sou: ainda jovem, mas com uma bagagem acadêmica e profissional bastante sólida.


Hoje, o que faz toda a diferença é ter ao meu lado meu marido, que além de sócio, é também meu grande parceiro de vida. Ele é tão workaholic quanto eu, mas, ao mesmo tempo, é quem me lembra da importância de pausar, descansar e cuidar da nossa vida fora do trabalho. Enquanto eu me dedico mais à docência e à clínica, ele assume a parte administrativa e burocrática da empresa, e juntos encontramos um ponto de equilíbrio. É ele quem puxa minha mão quando percebe que já passei horas demais em frente ao computador, e quem me lembra de que sucesso também é feito de saúde, família e afeto.

Esse equilíbrio não é perfeito todos os dias, mas é exatamente essa parceria que torna possível sustentar uma carreira intensa sem perder o que mais importa.  


4.⁠ ⁠Qual seu maior sonho?

Hoje eu me dedico integralmente à docência, sendo professora de pós graduação, coordenando e conduzindo sete turmas de especialização em Odontopediatria e acompanhando de perto o crescimento de muitas futuras odontopediatras.Isso significa que, de certa forma, eu cuido diariamente dos sonhos de outras mulheres, e essa responsabilidade me realiza profundamente. Ao mesmo tempo, nossa empresa também exige bastante da minha presença, seja ministrando aulas, seja supervisionando os atendimentos no ambulatório das clínicas.


Mas, quando penso no meu maior sonho, ele vai além da carreira. Eu desejo ter mais tempo livre, tempo de qualidade ao lado da minha família e de quem eu amo. Nos últimos anos, eu e meu marido temos sonhado em engravidar, mas diante da intensidade da rotina profissional, isso às vezes parece distante e desafiador.


Ainda assim, eu sei que cada escolha que faço hoje é também um passo para que esse sonho aconteça. Meu maior desejo é encontrar esse equilíbrio: continuar transformando vidas pela docência e pela odontopediatria, mas também viver com calma o lado mais precioso da vida — ser mãe e construir uma família.  


5.⁠ ⁠Qual sua maior conquista?

Minha maior conquista foi conquistar meu espaço na ciência e na vida acadêmica, me tornando uma referência na Odontopediatria brasileira.Não foi um caminho simples: a área acadêmica e a ciência ainda carregam marcas muito fortes do machismo e de estruturas em que, muitas vezes, a voz e o reconhecimento estão direcionados para homens mais velhos.Construir autoridade sendo mulher, jovem e delicada, exigiu de mim coragem, persistência e uma dedicação enorme para provar, dia após dia, que meu lugar também era ali.


Olho para a trajetória e percebo que, mais do que títulos, o que eu conquistei foi o respeito de alunas, colegas e pacientes, que reconhecem em mim uma profissional comprometida em unir ciência e humanidade. Essa é a minha maior vitória: ter transformado barreiras e mostrar que é possível, sim, para nós mulheres, ocuparmos esses espaços de destaque com competência, firmeza e sensibilidade.  


6.⁠ ⁠Livro, filme e mulher que admira:

Um livro que me marcou muito foi “A coragem de ser imperfeito”, Brené Brown. Ele me ensinou que vulnerabilidade não é fraqueza, mas sim uma forma de conexão e autenticidade, algo que levo para a vida pessoal e também para a docência.


Um filme que admiro é “Estrelas Além do Tempo”, que conta a história de mulheres cientistas que precisaram vencer preconceitos e machismo para conquistar seu espaço. Eu me identifico muito com essa trajetória de resistência e superação na ciência.


E uma mulher que me inspira é a Dra. Zilda Arns, médica pediatra brasileira, que dedicou sua vida a salvar e cuidar de crianças com simplicidade, sabedoria e amor. Ela é, para mim, um símbolo de como ciência e humanidade podem caminhar juntas.




 
 

Sobre Elas: Histórias que Inspiram Mudança

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